escola para quem precisa

Eu nunca fui muito feliz com a escola. Acordar cedo era ruim, quando no ensino fundamental eu me achava inteligente demais, e no ensino médio eu simplesmente detestava a escola, as pessoas, e no meu último ano, quando eu deveria focar em estudos para vestibular, eu só dormia, varzeava e fazia contagem regressiva para o fim da escola. Quando finalmente acabou, eu pensei: ESTOU LIVRE. E ao contrário do que muitos me diziam, eu não sinto falta da escola, não tinha tantos amigos pra ter saudade, e posso entrar em contato com eles, se quiser manter a amizade. Era um peso e eu fico feliz de estar longe disso hehe

Mas apesar da minha implicância pessoal, eu tenho muita coisa contra o sistema de ensino atual, que parece estar preso a um modelo ultrapassado de educação e não dá mais suporte ao perfil das crianças e adolescentes do século XXI. Os alunos de hoje são muito mais dinâmicos, fazem mil coisas ao mesmo tempo, tem acesso livre o todo tipo de informação por causa de internet, e processam essa informação num ritmo mais acelerado. Mas aí somos forçados pela lei a ficar 5 horas do dia sentados em uma carteira ouvindo o professor falar, decorando sem aprender, uniforme obrigatório, matéria obrigatória, proibido conversar, proibido discordar.. Um sistema que pressupões que todo mundo é igual: as mesmas matérias, as mesmas provas, mesmas cobranças sobre pessoas, indivíduos diferentes entre si… Será que só pra mim é óbvio que isso está errado?

Sempre tem a pessoa criativa, que desenha durante a aula de química,ou quer tocar violão, ou não consegue ficar parado, MUITOS que dormem na aula de inglês porque já sabem mais que o verbo to-be… E a história do Brasil, repetida todo ano, mais filosofia, geografia, história da arte, literatura ensinada de um jeito diluído no ki-suco, que não da espaço para discussão de ideias, formação de diferentes pontos de vistas e interpretações variadas, subestimando a capacidade do aluno e limitando seu potencial com aquele julgamento de certo x errado.

O que quero dizer, é que a escola nos moldes de hoje só admite um tipo “certo” de aluno, e muitas vezes desconsidera que existem múltiplas inteligências e múltiplas eficiências, desanima a pessoa a se aprimorar nas suas habilidades, desestimula o debate, pois poucas vezes há liberdade discordar do que foi falado. Questões de interpretação corrigidas como “erradas” e a clássica pergunta “onde está a graça da tirinha” que não é engraçada.

Muitos professores, sem querer, acabam tentando ditar padrões nos quais devemos acreditar. Quem não passa em vestibular não vai ser ninguém na vida, ou que fazer uma faculdade particular é sinal de fracasso. Já vi professores que duvidaram do trabalho, achando que era copiado da internet, reclamando de uma margem errada por 3 milímetros, falando que o desenho estava “errado”, desencorajar criatividade, cortar um discussão… Não digo que todos os professores são ruins, e fazem as coisas por maldade, mas muitos agem assim por falta de formação ou simplesmente porque foram ensinados assim. Eu vi bons professores também, que marcaram a vida de seus alunos e ensinaram muito mais do que a matéria deles. Minha crítica não é aos professores, que são extremamente desvalorizados, mas ao “sistema” que os coloca em situação precária e desfavorável

Aí você sai da escola, e dá uma olhadinha rápida na vida dos seus colegas de classe, concluindo que o seu desempenho na escola, ou melhor, suas notas não predestinaram a um futuro bom ou ruim. Há inúmeros fatores entre um 0 e um 10 que fazem a diferença na vida de uma pessoa, e constroem seu “sucesso”.

O que eu sonho para o futuro do Brasil é uma renovação na educação, com grades curriculares mais flexíveis e amplas, que considerem o indivíduo e não apenas uma massa que precisa ser passada de ano. Turmas menores, com aulas dinâmicas que utilizam mais ferramentas de aprendizagem, não apenas enciclopédia, lousa, giz e caderno. Eu anseio pela valorização do trabalho do professor, que eles possam ter formação de qualidade, recebam um salário digno e estejam satisfeitos com sua profissão, o que liberaria todo seu potencial de ensino. Uma escola que incentivasse o debate, a pesquisa, a curiosidade, a criatividade. Uma escola que tivesse vários métodos de avaliação. Assim, formaríamos pessoas melhores, profissionais melhores, muito mais preparadas para um curso de nível superior, estimuladas a trabalhar seus pontos fortes e vencer seus pontos fracos.

Pode parecer utopia, mas para mim não é. Peço desculpas aos estudiosos da área da educação. Eu não tenho conhecimento profundo sobre isso, nem posso dizer o que é viável atualmente, esse post é um desabafo, e contém conclusões baseadas na minha experiência. Estou aberta a discussões, pois é um assunto que me interessa, qualquer zica podem comentar.

PS: Ao clicar na imagem que ilustra esse post, você será direcionado para a fonte da imagem, e um texto interessante sobre o mesmo assunto.

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